01 de setembro
Horário | Atividades | Convidados |
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08:30 – 10:15 | Mesa de Abertura: | Marcelo Mello (dir. FFCH), JamileBorges (coord. CEAO), Fábio Baqueiro (Fábrica de Ideias), Magali Almeida (POSAFRO), Livio Sansone (coord. Fábrica de Ideias), Moisés Lino (PPGA), Moreno Pacheco (PPGH) |
10:45 – 12:30 | Questionando a Hegemonia dos Paradigmas Norte Americanos: Uma Crítica de Reducionismo Racial- Sessão I | Devaka Premawardhana (Emory University) |
Pausa | ||
14:30 – 17:30 | A História social da História da África no Brasil | Marcelo Bitttencourt (UFF) Debatedor: Fábio Baqueiro (Fábrica de Ideias) |
02 de setembro
Horário | Atividades | Convidados |
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08:30 – 10:15 | Temas e Problemas da historiografia de Angola | Marcelo Bitttencourt (UFF) |
10:45 – 12:30 | Brasil, Haiti e Moçambique: uma trajetória internacional de pesquisa – Sessão I | Omar Thomaz (UNICAMP) |
Pausa | ||
14:30 – 17:30 | Recentralizando a religião nos Estudos Africanos, Afro-americanos e Étnicos. | Devaka Premawardhana (Emory University) debatedor: Livio Sansone (Fábrica de Ideias) |
03 de setembro
Horário | Atividades | Convidados |
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08:30 – 10:15 | Brasil, Haiti e Moçambique: uma trajetória internacional de pesquisa – Sessão II | Omar Thomaz (UNICAMP) |
10:45 – 12:30 | Encontros com as memórias de África no Brasil hoje – Sessão I | Monica Lima (UFRJ e Diretora do Arquivo Nacional) |
Pausa | ||
14:30 – 17-30 | Estudos Étnicos e Africanos através das fronteiras: memória colonial e literatura como resistência – Sessão I | Inocência Mata (FLUL/CEComp) debatedor: Valdemir Zamparoni |
04 de setembro
Horário | Atividades | Convidados |
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08:30 – 10:15 | Narrando o Não-Lugar: Exílio, Diáspora e Subjetividade Afrodescendente na Literatura Portuguesa | Inocência Mata (FLUL/CEComp) |
10:45 – 12:30 | Onde está a África nos Estudos Africanos? – Sessão I | Clara Carvalho (ISCTE) |
Pausa | ||
14:30 – 17:30 | Encontros com as memórias de África no Brasil hoje – Sessão II | Monica Lima (UFRJ e Diretora do Arquivo Nacional) debatedor: Marcelo Mello (dir. FFCH) |
05 de setembro
Horário | Atividades | Convidados |
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08:30 – 10:15 | Os embaixadores dos Reis do Kongo entre Lisboa, Madrid e Roma (1570-1622) – Sessão I | José Rivair Macedo (UFRGS) |
10:45 – 12:30 | ÁFRICA E BRASIL NOS TRÂNSITOS ACADÊMICOS: passado e o futuro, num Sul-Global tendencialmente distópico – Sessão I | Claudio Furtado (UNICV) |
Pausa | ||
14:30 – 17:30 | Os embaixadores dos Reis do Kongo entre Lisboa, Madrid e Roma (1570-1622) – Sessão II | José Rivair Macedo (UFRGS) debatedor: Fábio Baqueiro (UFBA) |
18:00 – 19:00 | Lançamentos e noite de Autógrafo |
06 de setembro
Horário | Atividades | Convidados |
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08:30 – 10:15 | Visita a sociedade protetora dos desvalidos e ao Museu AfroBrasileiro da UFBA | |
Pausa | ||
14:30 – 17:30 | Visita a igreja e irmandade nossa senhora do Rosário dos pretos e Avaliação da primeira semana de atividades/ Momento Cultural |
08 de setembro
Horário | Atividades | Participantes |
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08:30 – 10:15 | Onde está a África nos Estudos Africanos? – Sessão II | Clara Carvalho (ISCTE) |
10:45 – 12:30 | ÁFRICA E BRASIL NOS TRÂNSITOS ACADÊMICOS: passado e o futuro, num Sul- Global tendencialmente distópico – Sessão II | Claudio Furtado (UNICV) |
Pausa | ||
14:30 – 17:30 | Apresentação e discussão dos projetos – Grupos A e B |
09 de setembro
Horário | Atividades | Participantes |
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08:30 – 12:30 | Apresentação do Cluster África Múltipla e Universidade Moi: | Peter Simatei (Moi University), Mary Kayongo (Universidade Moi), Susanne Mulheisen (University of Bayreuth), Christine Scherer (University of Bayreuth) |
Pausa | ||
14:30 – 17:30 | Apresentação e discussão dos projetos – Grupos C e D |
10 de setembro
Horário | Atividades | Participantes |
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08:30 – 12:30 | Mesa: Fora do eixo: Construindo os estudos Étnicos e Africanos de outros lugares | Evaldo de Barros (UFMA) Alyxandra Gomes (UNEB) Debatedora: Jusciney Carvalho (UNILAB) |
Pausa | ||
14:30 – 17:30 | Apresentação e discussão dos projetos – Grupos E e F |
11 de setembro
Horário | Atividades | Participantes |
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08:30 – 12:30 | Quando novos Sujeitos (Negros) entram em cena: 25 anos de transformação – Sessão Única | Osmundo Pinho (UFRB) |
Pausa | ||
14:30 – 17:30 | Apresentação e discussão dos projetos – Grupos G e H |
12 de setembro
Horário | Atividades | Participantes |
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08:30 – 10:15 | Apresentação do Museu Afrodigital e do NEPAI | Livio Sansone (Fábrica de Ideias) |
10:45 – 12:30 | Deslocamentos, Migrações e diásporas – Raça, Gênero e Origem | Cristiane Souza (UNILAB), José Raimundo Santos (UFRB) Debatedora: Jamile Borges (UFBA) |
Pausa | ||
14:30 – 17:30 | Apresentação e discussão dos projetos – Grupos I e J |
13 de setembro
Horário | Atividades | Participantes |
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08:30 – 12:30 | Apresentação e discussão dos projetos – Grupos K e L | |
Pausa | ||
14:30 – 17:30 | Síntese e encerramento |
Abaixo, acompanhe os resumos das aulas a serem ministradas:
Questionando a Hegemonia dos Paradigmas Norte-Americanos: Uma Crítica de
Reducionismo Racial – Devaka Premawardhana (Emory University)
Programas de estudos étnicos e de gênero nos Estados Unidos têm chamado atenção ao impacto interseccional das identidades na política e no direito, bem como na cultura e na subjetividade. A política de identidade, e em particular a política de identidade racial, tem permitido que indivíduos de grupos marginalizados se organizem em torno de identidades comuns para reduzir desigualdades, validar experiências vividas e promover um sentimento de orgulho coletivo. As críticas conservadoras da política de identidade – do que é cinicamente chamado “wokismo” – estão fundadas em pressupostos racistas, sexistas e supremacistas e, portanto, são fáceis de descartar. No entanto, uma crítica mais sofisticada está emergindo da esquerda política nos Estados Unidos. Esta crítica se importa com a minimização da classe econômica e da desigualdade econômica em movimentos identitários. Esta sessão aborda os limites da política de identidade na mobilização pelo bem-estar de
pessoas pobres e trabalhadores. Fazemos isso investigando correntes menos conhecidas dos Estudos Afro-Americanos que vão contra a corrente culturalista dominante nesse campo, e nos encorajando a assumir uma postura crítica em relação à hegemonia dos paradigmas acadêmicos norte-americanos, particularmente aqueles que promovem um tipo de reducionismo racial que não é necessariamente útil para a compreensão da África e das dimensões globais da diáspora africana.
Recentralizando a Religião nos Estudos Africanos, Afro-Americanos e Étnicos – Devaka Premawardhana (Emory University)
É irônico que a religião, que é tão importante para os habitantes do Sul Global, é tão ausente nas pesquisas dos académicos os estudam. Esta sessão explora as razões para essa desconexão e argumenta que a descolonização da academia deve implicar um olhar crítico sobre os fundamentos epistêmologicos do mundo ocidental, fundamentos em grande parte seculares e materialistos e, portanto, alergicos à religiosidade. O propósito de recentrar a religião não seria para promover uma ou outra doutrina sectária, mas sim para reconhecer que a diversidade cultural e epistêmica é inseparável de questões como a de como relacionamos com ancestrais e divindades, como encontramos propósito e significado, e como seguimos uma vida ética e virtuosa. O argumento será defendido de que a atenção à religião importa especialmente devido aos aspectos da prática e crença religiosas que enfatizam a incerteza, a opacidade e os limites da razão humana. Nesse espaço de ambiguidade, onde a humildade intelectual é exigida e múltiplas identidades são convidadas, podemos encontrar recursos para desfazer algumas das lógicas dominantes no mundo pós-iluministo, tais como racionalismo, reducionismo e racismo.
A história social da História da África no Brasil – Marcelo Bittencourt (UFF)
No Brasil há uma indissociabilidade entre a criação da área de História da África nos cursos de graduação e pós-graduação em História da promulgação da lei 10.639. No entanto, esse vínculo, em algumas universidades, se traduziu no reforço de uma história cronologicamente vinculada ao período do tráfico de escravizados e ao mundo atlântico. Essa configuração vem sendo lentamente ultrapassada pela sequência de concursos públicos e o crescimento de uma dinâmica interna que resultou na ampliação dos temas e dos tempos a serem estudados em relação ao continente africano. Por outro lado, há também uma imbricação muito grande entre os temas debatidos nos cursos de graduação em História no Brasil e os temas de pesquisa em História da África. Esses dois temas são muito pertinentes quando analisamos as trocas e os canais de comunicação existentes entre pesquisadores brasileiros e africanos. Por fim, caberia analisar a dificuldade na institucionalização dos contatos acadêmicos, que ultrapassem os laços pessoais de parta a parte no incremento das pesquisas em temas africanos.
Brasil, Haiti e Moçambique: uma trajetória internacional de pesquisa – Omar Thomaz (UNICAMP)
O que nos ensina uma perspectiva de pesquisa internacional autenticamente Sul-Sul em temas como nacionalismo, etnicidade, memoria da violência e desigualdade, e diversidade? Vale a pena detalhar como nossa pós-graduação e a formação de nossos alunos pode se beneficiar neste processo.
O futuro dos estudos étnicos e africanos em um mundo em franca desglobalização –
Inocência Mata (FLUL/CEComp)
Num cenário marcado pela desglobalização – caracterizada pela retração das cadeias globais, o fortalecimento de fronteiras, o recrudescimento de nacionalismos e a crise das promessas universalistas da globalização neoliberal que colocam em xeque o projeto universalista que sustentou parte da expansão desses campos nos últimos anos –, os Estudos Étnicos e Africanos enfrentam novos desafios e oportunidades. Esses campos são agora convocados a repensar as suas agendas num mundo cada vez mais fragmentado, desigual e introspetivo. Assim, o futuro dos Estudos Étnicos e Africanos dependerá da sua capacidade de se reposicionarem epistemologicamente, superando o enquadramento ocidental e propondo paradigmas verdadeiramente plurais.
TEMA: Estudos Étnicos e Africanos entre fronteiras: Memória colonial, e literatura como resistência
No entanto, este contexto tambémabre espaço para uma reinvenção crítica da produção cultural – no caso, a produção literária. A desglobalização, apesar da retração, pode também ser entendida como uma oportunidade crítica: um momento de repensar a memória colonial, a diáspora, o exílio e a migração não apenas como traumas, mas como experiências de reinvenção identitária e epistémica. Isto é, trata-se de transformar o deslocamento em lugar de enunciação e o exílio em laboratório de futuros mais justos
1ª aula: 03 de setembro de 2025
Corpos colonizados e vozes insurgentes em deslocamentos espácio-temporais
Em tempos de (des)globalização, os Estudos Pós-Coloniais – em diálogo com os Estudos Étnicos e Africanos – oferecem ferramentas críticas para repensar os modos de circulação, pertença e representação que moldam as experiências contemporâneas de deslocamento. Romances como As Alegrias da Maternidade (1979), da nigeriana Buchi Emecheta, e O Alegre Canto da Perdiz (2008), da moçambicana Paulina Chiziane, revelam como a memória colonial, o colonialismo interno e a migração afetam os corpos colonizados, “racializados” e etnicizados, sobretudo corpos femininos, expondo as marcas estruturais da dominação histórica.
Nessas narrativas, a maternidade, a tradição e a memória são problematizadas como territórios de disputa simbólica e política, nos quais as personagens resistem à fragmentação imposta pelo sistema colonial e global, reconfigurando as suas identidades à margem das normatividades hegemónicas. A literatura, assim, emerge como espaço de denúncia e criação, transformando o exílio e a não-pertença em lugares de resistência, reexistência e imaginação de futuros mais justos.
2ª aula: 04 de setembro de 2025
Narrar o não-lugar: Exílio, diáspora e subjetividade afrodescendente na literatura portuguesa
Outro dos impactos da desglobalização verifica-se diretamente no conceito de transnacionalização dos fluxos migratórios, que a desglobalização não dissolve, mas torna mais precários e vulneráveis, intensificando experiências de exílio, deslocamento forçado e diáspora. Nesse cenário, a identidade deixa de ser pensada como algo estável ou linear: ela emerge como identidade exílica, construída na travessia, na intermitência e no entrelugar – por vezes em permanente lugar de não pertença, como nas narrativas produzidas por sujeitos afrodescendentes. Tal se vê, por exemplo, na literatura portuguesa de autoria afrodescendente, em que os sujeitos buscam re-existir face a um imaginário de exclusão, ainda imperial, gerando uma condição imigrante e exílica, como em Um Preto Muito Português (2017), de Telma Tvon, e Luanda, Lisboa, Paraíso (2018), de Djaimilia Pereira de Almeida que, contra uma identidade portuguesa reificada, cede lugar à temporalidade fragmentada, rizomática e performativa das experiências pós-coloniais e afro-diaspóricas, onde o “eu” é sempre múltiplo, situado e em negociação constante.
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RESUMO DO TEMA PROPOSTO:
Estudos Étnicos e Africanos entre fronteiras: desglobalização, migração e literatura como resistência
Propõe-se uma análise, à luz dos Estudos Étnicos e Africanos, dos efeitos da memória colonial e da desglobalização sobre as experiências de deslocamento, exílio, migração e identidade “racializada”. A partir dos romances de Buchi Emecheta (As Alegrias da Maternidade, 1979), Paulina Chiziane (O Alegre Canto da Perdiz, 2008), Telma Tvon (Um Preto muito Português, 2017) e Djaimilia Pereira de Almeida (Luanda, Lisboa, Paraíso, 2018), discute-se como a literatura encena a memória colonial e transforma o deslocamento e a não-pertença em lugares de resistência e reinvenção subjetiva, especialmente por meio de narrativas de autoria feminina, africanas e afrodescendentes, que rompem com as lógicas hegemónicas de pertença e tempo.
Inocência Mata (FLUL/CEComp)
Onde está África nos Estudos Africanos? – Clara Carvalho (ISCTE)
Os Estudos Africanos são um campo multidisciplinar que tem a África como tema principal. Esta definição consensual de Estudos Africanos é repetida em todos os artigos publicados ou declarados em todos os sites sobre o assunto e subsume uma interpretação bem
aceite do nosso assunto. No entanto, esta definição simples implica os principais problemas dos Estudos Africanos. Uma abordagem multidisciplinar? Um campo de estudos? E qual é a posição de África nos Estudos Africanos?
Neste seminário serão abordadas as diferentes perspetivas sobre os estudos africanos desenvolvidas nas academias americana, europeias e africanas. Os estudos africanos são, sobretudo, a expressão de um debate politico que varia nas diferentes geografias do saber sendo enformado por elas. Não existe uma definição única para este campo multidisciplinar, mas a sua excepcionalidade constitui um espaço experimental para todas as academias.
Encontros com as memórias de África no Brasil hoje – Monica Lima (UFRJ e Diretora do Arquivo Nacional)
Os estudos sobre história da África no Brasil foram sempre atravessados pela presença africana na história e memória social brasileira, por sua força nas construções identitárias e criações culturais, por sua relação com o movimento negro, e por sua evidente fundamentalidade na formação do país. Houve, ao longo de anos de pesquisa e desenvolvimento da área de estudos, quem tentasse dissociar este sentimento de pertença do conhecimento de e sobre as sociedades africanas, mas este posicionamento intelectual não encontrou eco fácil nos corações e mentes neste território afrodiaspórico. Hoje no Brasil as presenças africanas se visibilizam no debate sobre o reconhecimento de patrimônios materiais e imateriais, na literatura, na arte, na presença nos currículos e em políticas públicas de memória, ainda que sempre enfrentando o racismo que também reinventa suas armadilhas discursivas. As memórias de África, que são passados presentes no Brasil, sinalizam um futuro de reconexões, que também nos inserem nas Américas negras, além da criação de novas bases para as relações com o continente na contemporaneidade. A discussão sobre este processo desde uma perspectiva histórica e em face aos desafios e possibilidades para o futuro estará presente ao longo deste nosso encontro.
Os embaixadores dos Reis do Kongo entre Lisboa, Madrid e Roma (1570-1622) – Jose Rivair Macedo (UFRGS)
A exposição apresentará as linhas de rumo de uma investigação em curso acerca das relações diplomáticas entre os reis do Kongo e as autoridades da Igreja nos séculos XVI e XVII, com particular atenção aos períodos de governo de Álvaro I (1568-1587), Álvaro II (1587-1614) e Álvaro III (1615-1622). O objetivo é examinar as estratégias adotadas pelos governantes centro-africanos para afirmar sua legitimidade como monarcas católicos no período em que Portugal esteve temporariamente sob controle da Monarquia Católica da dinastia dos Habsburgos (1580-1640). As iniciativas mediterrânicas do Kongo junto ao Vaticano ligam-se aos pressupostos de uma história conectada das monarquias cristãs no período da Contra-Reforma. Tais relações serão interpretadas levando em conta os diferentes atores e interesses envolvidos no contexto da expansão imperial da Primeira Modernidade na Europa e na África.
ÁFRICA E BRASIL NOS TRÂNSITOS ACADÊMICOS: passado e o futuro, num Sul-
Global tendencialmente distópico – Claudio Furtado (UNICV)
Os intercâmbios acadêmicos e científicos entre alguns países africanos e o Brasil ganham relevo no contexto das independências dos primeiros, de forma particular na década de 60, altura em que a Política Externa Independente no Brasil é concebida e ganha, progressivamente, concretude. Nas academias brasileiras esse novo influxo, dá-se com a emergência dos três centros acadêmicos de estudos africanos (CEAO; CEAA e CEA).
Mais recentemente, esses intercâmbios têm conhecido um forte incremento assim como a abrangência geográfica. No entanto, parece que que o fluxo tem sido maior no sentido Brasil- Africa do que África- Brasil, excetuando nichos bem específicos.
Contudo, o objetivo da presente comunicação é menos analisar esses fluxos e seus sentidos e mais buscar descortinar os sentidos epistemológicos desses fluxos e suasdissonâncias e distopias. Interessa- nos menos, eventuais visões idílicas, continentais (contrapondo a metonímia ao sinédoque) da África no Brasil e, como estes trânsitos acadêmicos, discursiva e epistemologicamente, inscritos num hipotético Sul-Global cooperativo, colaborativo e inter-pares, mas inscritos numa lógica de (im)posição de formas de (di)visão e de explicação África, em análises, ainda que negadas, polares, quando não reprodutoras da invenção da África.
Quando Novos Sujeitos (Negros) entram em Cena: 25 anos de Transformações – Osmundo Pinho (UFRB)
Na história das ciências sociais brasileiras transformações estruturais na sociedade, não raro retroalimentadas pelas mesmas leituras sociológicas, implicam na oportunidade para revisões paradigmáticas, tensionamentos teóricos, aberturas metodológicas, crises epistemológicas. Foi assim com a reorganização das lutas populares nos anos 1970 e 1980; com a expansão do feminismo e dos estudos de gênero; com a eclosão e radicalização das lutas por direitos sexuais e LGBTQIA+. Nas últimas duas décadas transformações estruturais têm sido observadas no Brasil, e na Universidade Brasileira em particular, tais transformações tem como fundamento a imposição de políticas afirmativas raciais, sob muita resistência, e a expansão do ensino superior público para a periferia ampliada da sociedade nacional, sob
muitas críticas. Que efeitos teóricos e metodológicos, para além dos institucionais, podemos descrever como correlacionados a essas transformações? Nessa apresentação buscamos mapear e interpelar essas novas possibilidades e horizontes críticos.
Veja abaixo a relação dos grupos de Fabricantes e seus respectivos projetos de pesquisa a serem apresentados
Fabricante | Instituição | projeto | Grupo |
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Catimba Matias Anacleto | UFMG | Gêneros musicais e suas múltiplas funções nos povos de Angola ‘‘Grupo etnolinguistico Ovimbundo”. | Grupo A 08/09 – sala 1 |
José Batista Franco Junior | USP | A RECONFIGURAÇÃO TERRITORIAL DAS ÁGUAS: COSMOPOLÍTICAS NA COMUNIDADE DO MORRO DO CAMBAMBI – MT | Grupo A 08/09 – sala 1 |
Juliana Frassetto Moreno de Mello Sartori | UNICAMP | Antropologia na busca por direitos: conflitos quilombolas no Judiciário | Grupo A 08/09 – sala 1 |
Miguel da Cruz Almeida Rocha | UNICAMP | Mwen pa yon esklav: as plantas e a tradição revolucionária no Haiti | Grupo A 08/09 – sala 1 |
Paulino Tchiloia Bimba Lunono | UFBA | ‘‘Artes do Corpo Ancestrais: estudo da(s) identidade(s) ‘Nhaneca-Humbe’ a partir de olundongo festivo’’ | Grupo A 08/09 – sala 1 |
Allana Gama Santana | UNICAMP | O DEUS DO IMPÉRIO E O DEUS DA MONTANHA: CULTURA, FÉ E REPRESSÃO COLONIAL NA OBRA DE PARMENAS MOCKERIE | Grupo B 08/09 – sala 2 |
Daiana Castro Barbosa | UFS | Interseccionalidades em Diário de Bitita e Becos da Memória | Grupo B 08/09 – sala 2 |
Monalisa Aparecida do Carmo | UFV | Escrevivências e cosmopercepções: movimentos e encontros transatlânticos na travessia Brasil – Moçambique | Grupo B 08/09 – sala 2 |
Renálide de Carvalho Morais Fabrício | UFPB/ Universidade de Cabo Verde | Aproximações entre o olhar da etnografia e a escrita de Carolina Maria de Jesus em quarto de despejo: diário de uma favelada | Grupo B 08/09 – sala 2 |
Adinelson Farias de Souza Filho | UFBA | O CANTO DE OSSANHE: A poética subterrânea dos oríkì na criação textual brasileira | Grupo C 09/09 – sala 1 |
Antonio Ailton Penha Ribeiro | UFMA | Entre o bumbo e a caixa: ideias políticas no rap de São Luís do Maranhão. | Grupo C 09/09 – sala 1 |
Felipe Ramos Conceição | UFBA | Projetos de vida e identidades negras no Recôncavo: juventude, Hip Hop e resistência em Cachoeira e São Félix (BA) | Grupo C 09/09 – sala 1 |
Maria Arthuane da Costa Oliveira | UFRJ | 3 VELHA GUARDA DOS COCAIS: O TAMBOR DE CRIOULA NA CIDADE DE PORTO – PI | Grupo C 09/09 – sala 1 |
Elton Bernardo Santos da Silva | UFBA | Quilombos Educacionais: educação negra, científica e política na Bahia | Grupo D 09/09 – sala 2 |
Jeane Pereira Marques dos Santos | UFBA | Permanências de alunos e alunas negros no curso de Direito da Faculdade de Direito da UFBA. | Grupo D 09/09 – sala 2 |
Paloma Nascimento dos Santos | UFBA | AFROCENTRICIDADE, ARQUEOLOGIA E ENSINO DE QUÍMICA | Grupo D 09/09 – sala 2 |
Wudson Guilherme De Oliveira | UERJ | O Povo Bantu e a Lei Federal 10.639/03: possibilidade em explorar as línguas africanas em aulas de história. | Grupo D 09/09 – sala 2 |
Yuri Leandro Cupertino Silva | UFV | Margens que ecoam: as cotas como um caminho de insurgência na pós-graduação um panorama do centro de Ciências Biológicas e Agrárias da Universidade Federal de Viçosa | Grupo D 09/09 – sala 2 |
Baderin Adebanjo | U BAYREUTH | Netflix African Aesthetics: Space and Narratives in Selected Anglophone and Francophone TV Serials. | Grupo E 10/09 – sala 1 |
Francisco Carlos Guerra de Mendonça Júnior | UFRO | RAP E ATIVISMO POLÍTICO NO ESPAÇO LUSÓFONO: Estudos de caso no Brasil, Portugal, Angola e Moçambique | Grupo E 10/09 – sala 1 |
Ivanete Freire dos santos | UFBA | CARTOGRAFIA DE EXPRESSÕES ARTÍSTICO-CULTURAIS AFROLATINAS: Espaços de Resistências e Identidades Afrodiaspóricas na América Latina | Grupo E 10/09 – sala 1 |
Kátia Silene Souza de Brito | UNB | ENTRE TRAUMAS E RESISTÊNCIAS: Encruzilhadas da Informação etnicorracial e Ciberativismo na Rede Afro-Digital de museus | Grupo E 10/09 – sala 1 |
Michelle Medrado | UFBA | Estética, raça, poder e economia – Mídia e moda brasileira em Luanda, Angola | Grupo E 10/09 – sala 1 |
Abiola Janet Bode | UFBA | PODER, RESISTÊNCIA E IDENTIDADE: UM ESTUDO DA AFRODIASPORIA: LUTAS PELA LIBERDADE NA BAHIA E NA ÁFRICA OCIDENTAL (SÉCULO XIX) | Grupo F 10/09 – sala 2 |
Ana Paula Santos Maria | UNICAMP | Comerciantes da praça mercantil da Bahia e a rota marítima Bahia – África Oreintal Portuguesa (1815 – 1831). | Grupo F 10/09 – sala 2 |
Imanuela Ifedayo Ayoh Omidire | UFBA | Da África ao Brasil: O que é esse afro na cozinha afro-baiana? | Grupo F 10/09 – sala 2 |
Luana Piveta de Moura Luz | USP | A transformação inacabada: (re)pensando a África do Sul democrática a partir de mobilizações recentes por descolonização | Grupo F 10/09 – sala 2 |
Antônio Cosme Lima da Silva | UFBA | Estado, Racismo E Sociedade: Exclusão E Trajetórias De Populações Negras Por Cidadania Na Bahia No Pós-Abolição (1950-1964) | Grupo G 11/09 – sala 1 |
Camilla Geovanna Mota Santos | UFBA | A polissemia das classificações de cores e etnias no Sertão dos Tocós a partir dos registros paroquiais das freguesias de Serrinha, Riachão do jacuípe, e Coité. (1870-1888) | Grupo G 11/09 – sala 1 |
Elaine de Jesus Silva Honório | UFBA | SER AFRICANO, SER ESCRAVIZADO: NAÇÕES AFRICANAS NA VILA DE MINAS DO RIO DE CONTAS (PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XVIII) | Grupo G 11/09 – sala 1 |
José Edwyn Silva Gomes | UFBA | Africanos, famílias, escravidão e liberdade em Sergipe | Grupo G 11/09 – sala 1 |
Azânia Mahin Romão Nogueira | UFBA | EMANCIPAÇÃO ECONÔMICA EM TERRITÓRIOS NEGROS AMEFRICANOS | Grupo H 11/09 – sala 2 |
Elena de Medeiros Batista | UNICAMP | A vida social dos plásticos: uma etnografia na praia do Porto da Barra em Salvador-Bahia | Grupo H 11/09 – sala 2 |
Rafael Vidal Leite Ribeiro | PUC/RJ | EpistemOrixáLogia – O Habitar do Candomblé Nagô do Icimimó Aganju Didê | Grupo H 11/09 – sala 2 |
Rosiane Trabuco de Oliveira | USP | Redes de acolhimento e organização social: imigrantes haitianos(as) em Salvador/BA | Grupo H 11/09 – sala 2 |
Brian Kiptoo | UFBA | The memory slavery in Kenya: Historical narratives, contemporary manifestations, and the politics of remembrance | Grupo I 12/09 – sala 1 |
Celso Luiz de Oliveira Junior | USP | Negociações e Ressignificações das pautas trabalhistas na luta pela descolonização da Universidade na África do Sul (2015-2016) | Grupo I 12/09 – sala 1 |
Diogo dos Santos Lessa Barbosa | UFBA | RAÇA, CIÊNCIA E PARADOXOS: PRODUÇÃO E DIFUSÃO DE TEORIAS RACIAIS EM PORTUGAL E COLÔNIAS AFRICANAS | Grupo I 12/09 – sala 1 |
Susel Abad Fis | Universidad de Holguín/UFBA | Juan Gualberto Gómez ante el Partido Independiente de Color | Grupo I 12/09 – sala 1 |
Jonathan Miguel Camargo | UNICAMP | Vozes cruzadas: a revista O Cruzeiro e as transformações culturais em Moçambique | Grupo J 12/09 – sala 2 |
Maria Simone Euclides | UFC | Construções epistemológicas e autoetnografias negras. | Grupo J 12/09 – sala 2 |
Maristela Sena dos Santos | UFMA | HANNAH ARENDT E MARY MC CARTHY: cartas para o futuro | Grupo J 12/09 – sala 2 |
Mireile Silva Martins | UNICAMP | A intelectual Lélia Gonzalez para além da nacionalidade: um pensamento em movimento | Grupo J 12/09 – sala 2 |
Genilson dos Santos De Jesus | UFBA | O ESTADO BRASILEIRO E A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO RACISMO CONTRA POVOS INDÍGENAS: UMA ANÁLISE SOBREOS EFEITOS DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL NO PROCESSO DE DEMARCAÇÃO DE TERRA | Grupo K 13/09 – sala 1 |
Humberto Bismark Silva Dantas | UFPE | Relações de identidade étnica e os saberes indígenas nas comunidades rurais Tapera e Baraúna, em São Mamede, Seridó Ocidental da Paraíba | Grupo K 13/09 – sala 1 |
João Gabriel Lima Modesto Pereira | UFRB | ‘Migração, presença e acesso à cidade: como as populações indígenas avaliam os serviços de saúde em Salvador, Bahia?’ | Grupo K 13/09 – sala 1 |
Maria Joselene de Quadros Reis Borges | UFBA | Laços da Ancestralidade Indígena em Mutuípe e Jiquiriçá-BA: Um estudo sobre Memória, Negação e (In)visibilização. | Grupo K 13/09 – sala 1 |
Michel de Paula Soares | UNICAMP | Boricuas y Piñazos Corpo, memória e anticolonialismo numa perspectiva comparada entre Cuba e Porto Rico | Grupo K 13/09 – sala 1 |
Brenda de Sousa Seixas | UFS | “Temos que fazer a nossa história”: Raça, classe, gênero e ação política no Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores Domésticas de Sergipe | Grupo L 13/09 – sala 2 |
Juliana Ferreira Gonçalves | UFBA | MULHERES PERIFÉRICAS EM REDE: CONSTRUÇÕES EPISTEMOLÓGICAS FEMINISTAS DECOLONIAIS AMEFRICANAS | Grupo L 13/09 – sala 2 |
Lucas Ribeiro Silva | UFRRJ | UMA ANÁLISE INTERSECCIONAL NO GRINDR SOBRE RACISMO E FETICHIZAÇÃO RACIAL: UM ESTUDO SOBRE OS MEIOS DIGITAIS E AS FORMAS DE OPRESSÃO | Grupo L 13/09 – sala 2 |
Maria da Luz Fonseca de Carvalho | UFG | Entre o exercício da sexualidade e a identidade cultural africana: quem somos nós, mulheres africanas que amamos outras mulheres na cidade de Acarape e Redenção? | Grupo L 13/09 – sala 2 |
Naíra Santos Regis | UFBA | MULHER NEGRA E SEXUALIDADE: OS EFEITOS DO RACISMO AFETIVO NA SAÚDE SEXUAL EM MULHERES NEGRAS DA CIDADE DE SALVADOR BAHIA. | Grupo L 13/09 – sala 2 |